Federasul ignora PT, PSOL e PCdoB em painel com pré-candidatos ao governo do RS

Marcado para a tarde desta sexta-feira (8), um painel promovido pela Federação das Entidades empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) com os pré-candidatos ao governo do Estado não terá representantes de partidos de esquerda. Miguel Rossetto (PT), Abgail Pereira (PCdoB) e Roberto Robaina (PSOL) não foram convidados para o debate, que acontece durante o 14º Congresso da entidade, realizado em Gramado.
Conforme a programação oficial, estão confirmados Eduardo Leite (PSDB), Jairo Jorge (PDT), Luis Carlos Heinze (PP) e Mateus Bandeira (Novo). O governador José Ivo Sartori (MDB), que ainda não reconhece oficialmente a candidatura à reeleição, não participará do painel, mas estará presente na abertura oficial do congresso, à noite.
Em reação, o PT gaúcho divulgou uma nota oficial em que acusa a Federasul de promover “censura ideológica” contra os pré-candidatos de esquerda. “A postura da entidade rompe com uma tradição de civilidade e debate democrático e plural no Rio Grande do Sul”, diz o comunicado, assinado pelo deputado federal Pepe Vargas, presidente estadual do partido. O texto diz ainda que “é lamentável ver que uma entidade como a Federasul se transformou em instrumento da intolerância”.
Na mesma linha, o candidato do PSOL ao Piratini, Roberto Robaina, avalia que “não convidar candidatos da esquerda para o debate pré-eleitoral é antidemocrático e a negação da possibilidade do debate entre diferentes visões para sair da crise”. Robaina ainda critica que “a Federasul está contaminada ideologicamente, o que inclusive se expressa na sua presidência, exercida por uma ex-candidata do PP ao Senado. Essa postura não colabora para a resolução da crise que assola o Rio Grande do Sul”.
Apesar do protesto das legendas, de acordo com o advogado eleitoralista Antônio Augusto Mayer dos Santos, a Federasul não é obrigada, legalmente, a convidar todos os pré-candidatos. “Na pré-campanha, o convite é espontâneo e os critérios são estabelecidas pela própria empresa”, explica Santos.
A conferência entre os pré-candidatos será mediada pela presidente da Federasul, Simone Leite, que foi candidata ao Senado pelo PP em 2014, e terá como tema inicial a questão “Como construir um Rio Grande do Sul livre e favorável ao desenvolvimento?”. Cada pré-candidato terá 15 minutos para expor suas ideias e, em seguida, todos participarão de um bate papo com a plateia.

O que diz a Federasul

Por meio de nota, a entidade empresarial justificou o fato de não convidar concorrentes de PT, PSOL e PCdoB citando “discursos de intolerância às leis, desrespeito às instituições ou defesa de políticos condenados por corrupção”, no que pode ser entendido como uma referência velada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista ao Jornal do Comércio, a presidente da Federasul ressaltou que, diferente da esquerda, a classe empresarial prega um estado “menor e menos burocrático” e que, dado o tempo reduzido, não pretende “ouvir opiniões que divergem daquilo que entende ser o melhor para o desenvolvimento do Estado”.
Jornal do Comércio – Como o debate foi organizado e porque não foram convidados os candidatos de PT, PSOL e PCdoB?
Simone Leite – Nós faremos uma discussão propositiva, baseada nos valores da classe produtiva. Por isso, convidamos lideranças empresariais e políticas com a pauta da reconstrução do Rio Grande do Sul, que se faz com trabalho, geração de riqueza, liberdade e, principalmente, com respeito às leis. Faremos uma discussão propositiva, com temas que envolvem desenvolvimento econômico. E o primeiro ponto de divergência com a esquerda é justamente esse: para nós, o desenvolvimento econômico precede o desenvolvimento social. Não temos saúde, educação e segurança sem a geração de riquezas. Queremos um estado menor e menos burocrático, que seja indutor e não paternalista, como foi quando a esquerda governou. Teremos um tempo curto não vamos ouvir opiniões que divergem daquilo que entendemos ser o melhor para o desenvolvimento do Estado.
JC – O PT e o PSOL acusam a Federasul de ferir a pluralidade e de ser antidemocrática ao não convidar candidatos de esquerda. Como responde a isso?
Simone – A Federasul é tolerante e responsável nas suas colocações. Queremos que haja trabalho e geração de riquezas para suportar o tamanho inchado do estado. Estamos fazendo um debate com associados, em um evento promovido para a classe produtiva do Rio Grande do Sul, onde faremos a indução de alguns temas para os candidatos e ouviremos a opinião deles a respeito desses temas. Queremos auxiliar na construção de planos de governos baseados nos nossos valores.
JC – Se algum dos pré-candidatos de esquerda vencer a eleição, não pode haver um ruído na relação da Federasul com o futuro governador?
Simone – Nos já fomos governados pela esquerda e tivemos sempre a tentativa de um bom diálogo, apesar de não termos nossos pleitos atendidos. E nós não somos convidados para falar no Fórum Social Mundial. Cito este exemplo para mostrar que eles dialogam para eles, com o viés que acreditam. E nós vamos dialogar para nós, com a pauta liberal, que entendemos que está mais necessária do que nunca nessa campanha (eleitoral).
JC – O governador José Ivo Sartori (MDB) chegou a ser convidado para o debate?
Simone – Pelo que o partido coloca, ele ainda não é pré-candidato. Ele declinou o convite e entendeu por bem não participar desta parte (do congresso), que estará discutindo a eleição. É uma posição pessoal, mas ele foi convidado e foi opção dele (não comparecer).

Relacionados