A NECESSÁRIA UNIDADE DA ESQUERDA

As últimas eleições no Rio Grande mostram que precisamos aprender com elas e não cometer erros que são evitáveis.

Polarizações iniciais nem sempre chegam ao final e surgem terceiras vias, alternativas disfarçadas e alavancadas pela mídia, com o mesmo programa e objetivos conservadores, mas que se apresentam como algo diferente, como o novo.

Foram assim que candidaturas como Rigotto, Yeda e, na última eleição, Sartori, aparecendo por fora da polarização na época, elegeram-se como alternativas novas, contra o “radicalismo” e pela “unidade do Rio Grande”. No último pleito, o “Rio Grande” chegou a virar partido no discurso do gringo que – agora está provado – NÃO deu certo!

Esse discurso prospera porque, apesar de ser meramente ideológico, enganador e oportunista, é alavancado pela mídia que ao longo dos anos cria estereótipos e inventa versões dos fatos que se transformam em verdades.

Nesta eleição, a bola da vez é o preferido da RBS que o vem cevando há anos como exemplo de moderação, simpatia e equilíbrio. O moço é tão equilibrista que se apresenta na TV como sendo de esquerda e de direita, simultaneamente. Um verdadeiro fenômeno da ciência política. Na realidade, não passa do velho oportunismo, do disfarce tucano para esconder a política real praticada. Ele e seu partido estão no governo golpista com Temer e apoiaram, votaram e são responsáveis por todas as políticas anti-povo trabalhador (salários, previdência, leis trabalhistas) e anti-nação (entrega das reservas do pré-sal, liquidação da Petrobrás, negociata da EMBRAER, privatizações). Ele e seu partido estão juntos com Sartori no governo e na Assembleia Legislativa. Votaram juntos todas as matérias que prejudicam os funcionários, aposentados e a estrutura administrativa do Rio Grande.

A excelência administrativa como prefeito, só existe nas colunas da mídia pois TODAS as obras relevantes em Pelotas são fruto da forma republicana que o Governo Dilma tratava as Prefeituras em todo o país. As responsabilidades do município, porém, já não eram tão republicanas como provam os contratos criminosos com as terceirizações nos exames de saúde.

Não vamos esquecer que o PSDB do Marchezan Júnior, do ex-prefeito de Pelotas e o PMDB do “gringo que NÃO deu certo” são os formuladores, os responsáveis pela política da “Ponte para o Futuro” que é o programa do governo Temer e do governo Sartori e seus aliados.

Nesse momento, portanto, temos que aprender e evitar processos anteriores. Em 2016, nas eleições me Porto Alegre, apesar da soma das candidaturas da esquerda no primeiro turno chegarem aproximadamente a 30%, nenhuma delas foi para a disputa final. O tucano que se apresentava como o novo, o anti-política e que ia revolucionar a administração com seus novos métodos, está agora fazendo a população e, em especial, os servidores públicos pagarem o preço por sua arrogância, autoritarismo e total incompetência como gestor público.

As pesquisas eleitorais publicadas nos últimos dias, com as ressalvas e cuidados que exigem em sua análise, apontam para uma evidência. Não há clara definição de quem chegará no segundo turno.

Assim, a resposta exigida pela conjuntura política é a de construção da unidade em torno do programa e da candidatura que expressa a garantia da disputa final. Esse é o desafio colocado para a esquerda com compromisso com o conjunto do povo trabalhador que é quem vem pagando a conta desses desastres nacional e estadual.

Uma ampla unidade do campo da esquerda, ainda no primeiro turno, não prejudicaria as nominatas proporcionais e significaria um grande impulso, uma novidade para desequilibrar a campanha e colocar todas as forças do campo popular e socialista contra o inimigo comum: o neoliberalismo rentista e entreguista que governa o país e o Estado, liquidando com os serviços públicos e enriquecendo banqueiros e especuladores.

Este é o grande desafio para o campo de esquerda. Ampliar a unidade já alcançada com o PT e o PcdoB, com os verdadeiros socialistas que não se renderam à traição programática de apoio a Sartori-Cairoli, com os (as) companheiros (as) do PSOL, do PSTU, do PCB e PCO.

O compromisso maior com os setores sociais que representamos exige de todos nós, nessa conjuntura diante de um inimigo comum, a grandeza política de somarmos forças para garantir uma saída popular à crise que o Estado vive.

Temos certeza que os setores trabalhistas que estiveram no combate ao governo Sartori nestes últimos anos também se somarão a este desafio histórico que estamos vivendo. Essa compreensão já é uma realidade na iniciativa supra partidária que organiza intelectuais, professores e trabalhadores sem vínculo partidário no apoio à Chapa Rosseto-Ana Affonso.

A iniciativa está tomada. Vamos conversar e construí-la.

RAUL PONT

Ex-prefeito de Porto Alegre

Setembro de 2018

Relacionados