Em Pelotas, nesta sexta-feira (15), ao apresentar o Relatório Técnico do Pacto RS 25 e o relatório de consultoria do projeto “Pacto RS 25: o crescimento sustentável é agora”, o deputado estadual Pepe Vargas destacou o potencial do município para liderar iniciativas voltadas à inovação, sustentabilidade, economia criativa, agricultura de base ecológica e turismo cultural.
O encontro foi realizado no Museu do Doce e contou com a participação do prefeito Fernando Marroni, que ressaltou a importância do debate para o futuro da região e do estado diante dos desafios climáticos e econômicos.
Marroni afirmou que o relatório representa uma contribuição consistente para o planejamento do desenvolvimento regional e destacou a relevância da devolutiva realizada em Pelotas. Segundo ele, o documento reúne o acúmulo das universidades, instituições de pesquisa, entidades e da participação popular em torno de propostas concretas para o Rio Grande do Sul.
“Penso que é uma contribuição muito importante, especialmente pelo que vivemos em 2024 e pelo que ainda podemos enfrentar daqui para frente, com secas e eventos climáticos extremos. O relatório traz luz sobre a emergência climática e apresenta boas diretrizes para discutir os destinos do Estado”, afirmou.
As propostas apresentadas integram o Projeto de Lei 134/2026, protocolado na Assembleia Legislativa, pelo deputado Pepe Vargas, que institui a Política Estadual de Desenvolvimento Sustentável e Resiliência Climática. O texto foi construído a partir dos debates promovidos pelo Fórum Democrático por meio do Pacto RS 25, iniciativa que reuniu milhares de contribuições da sociedade civil em diferentes regiões do estado.
Durante a reunião devolutiva realizada em Pelotas, Pepe ressaltou a participação de diversas entidades regionais e destacou o envolvimento da Universidade Federal de Pelotas no processo de construção das propostas.
O professor Fábio Garcia Lima, Pró-reietor de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Pelotas, afirmou que os debates promovidos ao longo do último ano pelo Fórum Democrático Regional Pacto RS 25 estimularam a criação de um núcleo permanente na universidade voltado ao desenvolvimento territorial sustentável.
“Foi uma provocação do próprio Fórum Democrático. Nós buscamos internamente na Universidade os atores que pudessem debater o desenvolvimento territorial sustentável e, a partir desse conjunto de encontros e da participação nas etapas do Fórum Democrático, o grupo se consolidou e virou um núcleo dentro do próprio organograma da Universidade”, explicou.
Segundo ele, o objetivo é integrar diferentes áreas do conhecimento em torno das estratégias apontadas pelo relatório do Pacto RS 25 e aproximar ainda mais a universidade dos territórios da região.
“Esse núcleo pretende promover o debate interno com todas as áreas do conhecimento da Universidade, vinculado às estratégias de desenvolvimento construídas pelo Fórum Democrático. A partir do trabalho de extensão universitária, queremos chegar aos territórios para contribuir com as metas definidas no relatório”, afirmou.
O professor também ressaltou que a iniciativa fortalece o papel social da universidade pública no desenvolvimento regional.
“Esse núcleo se formou justamente para fomentar a cooperação com outros atores e desenvolver trabalhos nos territórios onde a Universidade está inserida. Isso significa uma universidade pública comprometida com o desenvolvimento do território onde está localizada. Acho que esse é o papel fundamental da universidade pública”, afirmou.
Agricultura familiar e economia criativa
Entre os principais pontos relacionados ao perfil econômico e social de Pelotas está o fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia e da produção orgânica — áreas em que a região possui tradição e forte presença produtiva. O relatório prevê incentivos para produção, agroindustrialização e comercialização de alimentos de base ecológica, além de apoio às cooperativas e aos empreendimentos da economia solidária.
Outro destaque é o estímulo aos circuitos curtos de comercialização, aproximando produtores e consumidores e ampliando a compra de alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar e programas públicos.
A cidade também aparece alinhada às diretrizes voltadas à economia criativa e ao turismo sustentável. O relatório prevê investimentos em setores como audiovisual, design, moda sustentável, arquitetura e produção cultural, valorizando a identidade territorial e as vocações regionais.
O patrimônio histórico, cultural e gastronômico de Pelotas é apontado como ativo estratégico para impulsionar o turismo de experiência e a geração de renda sustentável.
Educação, inovação e infraestrutura
Na área da educação e inovação, o documento reforça a importância das universidades públicas, comunitárias e institutos federais como polos de pesquisa aplicada, extensão rural e desenvolvimento tecnológico regional. Nesse cenário, Pelotas é vista como um centro estratégico de produção de conhecimento e qualificação profissional para a Metade Sul.
As propostas também incluem investimentos em infraestrutura resiliente às mudanças climáticas, com fortalecimento das hidrovias e ferrovias, modernização logística e ampliação da conectividade digital.
Além disso, o documento enfatiza a preservação dos biomas Pampa e Mata Atlântica, a recuperação de áreas degradadas e a proteção dos recursos hídricos como parte essencial de uma estratégia de desenvolvimento econômico sustentável para a região.
Para Pepe Vargas, Pelotas reúne condições para assumir protagonismo em um novo ciclo de crescimento do Rio Grande do Sul, combinando desenvolvimento econômico, inovação, sustentabilidade e inclusão social.


