Com um produto Interno Bruto (PIB) de 0,9% no ano passado, o Rio Grande do Sul vive uma crise econômica de baixo crescimento nas últimas décadas. Ao avaliar o desempenho econômico do Estado, cujo resultado ficou abaixo da média nacional, com o Brasil registrando um crescimento de 2,3% no mesmo período, o deputado Pepe Vargas afirmou nesta quarta-feira (08/04), na Assembleia Legislativa, que o “pibinho” gaúcho se deve, entre outras coisas, devido a ausência de políticas públicas do governo Eduardo Leite.
O deputado mencionou as privatizações da CEEE e da Corsan como símbolos do fracasso da política neoliberal no Estado nos últimos anos. “O pior não é só o ano de 2025, o pior é a década perdida entre 2015 e 2025. Entre 2015 e 2025, o Brasil cresceu 11%. O RS, nesse mesmo período, cresceu 3,4%. É uma década perdida no RS”, alertou. Conforme Pepe, nesse mesmo período, o PIB de Santa Catarina cresceu 23,7% e o do Paraná, 10,8%. E o Rio Grande do Sul 3,4%. Isso acontece porque aqui no RS, nessa década perdida, foi implementado um programa fundamentalista neoliberal que destrói o Estado”, comparou.
Ele lembrou que, ao contrário de SC e PR, que não privatizaram a energia e o saneamento, o RS optou por conceder esses serviços essenciais à iniciativa privada. Com as privatizações, Pepe afirmou que “esse dinheiro vai embora” do RS, muitas vezes para o exterior em fundos de investimento. E, por outro lado, Santa Catarina e Paraná não extinguíram as suas agências de desenvolvimento econômico, não extinguiram suas fundações e institutos agropecuários. “O Rio Grande do Sul destruiu, fechou, liquidou, acabou. É por isso que temos esse resultado terrível para a economia do RS como um todo”, avaliou.
Sobre o desempenho negativo da agropecuária, de -6,8%, em função de estiagem, Pepe ressaltou que o Estado enfrenta há décadas esse problema, o que não é desculpa para o fraco desempenho da economia. Na avaliação de Pepe, os governos devem se preparar para enfrentar essas situações. O deputado reforçou que nos últimos anos foram descontinuados programas importantes para o enfrentamento à estiagem. “No governo Tarso Genro, tinha um programa que chamava-se Mais Água, Mais Renda, e outro Irrigando Agricultura Familiar, que financiavam projetos de irrigação”, sustentou.
Conforme Pepe, nos governos Sartori e Leite essas iniciativas foram descontinuadas. Diante desse contexto, Pepe defendeu a retomada de um ciclo virtuoso no RS, com foco em inovação e sustentabilidade, com uma nova política industrial. “Precisamos de um governo que saiba qual o papel do poder público e saiba qual é o papel da iniciativa privada, criando sinergia, permitindo que a gente possa ter investimentos públicos e investimentos privados, e que esteja em sintonia com o projeto nacional de desenvolvimento econômico e social e não se virando de costas para ele, como tem acontecido no último período”, afirmou.
Fotos: Charles Scholl



