Artigo Pepe Vargas: Transição ecológica é uma escolha de futuro para o Rio Grande do Sul

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Pepe Vargas

O Rio Grande do Sul não pode continuar tratando a emergência climática como se fosse apenas uma sucessão de tragédias às quais precisamos responder depois que acontecem. As enchentes, as estiagens, os problemas de abastecimento de água e os impactos sobre a produção, a infraestrutura e a vida das pessoas demonstram que estamos diante de uma mudança estrutural. 

O diagnóstico produzido pelo Pacto RS 25 é claro: precisamos preparar o Estado para um novo cenário climático e, ao mesmo tempo, mudar a forma como produzimos, consumimos e planejamos o desenvolvimento. Isso exige recuperar a capacidade de planejamento do poder público, investir em infraestrutura resiliente, proteger nossos recursos naturais e orientar a economia para um modelo de baixo carbono. Não se trata de escolher entre desenvolvimento e meio ambiente. Trata-se de compreender que, no século XXI, não haverá desenvolvimento duradouro sem sustentabilidade e resiliência climática.

Essa conclusão não nasceu apenas dentro das instituições. Foi construída ouvindo a sociedade gaúcha. Ao longo dos encontros do Pacto RS 25, universidades, pesquisadores, trabalhadores, empresários, agricultores, movimentos sociais, entidades e comunidades apresentaram propostas concretas para um novo ciclo de desenvolvimento. Surgiram demandas pelo fortalecimento das energias renováveis, pela agricultura de baixo carbono e pela agroecologia, pela conservação do solo e da água, pela recuperação de matas ciliares, pela economia circular e pela valorização das cooperativas de reciclagem. Também foram apontados investimentos em ferrovias e hidrovias, saneamento, infraestrutura digital, pesquisa e inovação, educação profissional e novas oportunidades econômicas ligadas à bioenergia e às tecnologias sustentáveis. 

O que a sociedade está dizendo é que o Rio Grande precisa voltar a planejar o seu futuro e que sustentabilidade não é obstáculo ao crescimento, mas uma condição para crescer.

É justamente para transformar essa visão em política de Estado que apresentei o Projeto de Lei 134/2026, que institui a Política Estadual de Desenvolvimento Sustentável e Resiliência Climática. A proposta nasceu das discussões do Pacto RS 25 e procura articular crescimento econômico, justiça social e proteção ambiental. Defendemos uma transição energética justa, com expansão das fontes renováveis; uma agropecuária mais sustentável, estimulando a agricultura regenerativa, a produção agroecológica, os bioinsumos e a conservação do solo e da água; uma indústria mais moderna e digital, inovadora e de baixo carbono; economia circular e gestão integrada de resíduos; infraestrutura preparada para eventos climáticos extremos; pesquisa, ciência e tecnologia; e políticas de inclusão produtiva para que ninguém seja deixado para trás. 

É uma concepção de desenvolvimento que se contrapõe à ideia de que o Estado deve simplesmente abrir mão de sua capacidade de planejar, investir e induzir o desenvolvimento. Enquanto a lógica predominante nos últimos governos tem sido a redução do papel estratégico do Estado e a transferência de patrimônio e serviços públicos para a iniciativa privada, estamos propondo recuperar a capacidade pública de construir futuro. O Rio Grande do Sul precisa de mais planejamento, mais ciência, mais investimento e mais cooperação. Precisa de um Estado capaz de coordenar uma transição que gere emprego, renda e inovação, ao mesmo tempo em que protege a população e o território. 

A transição ecológica não é uma pauta para o futuro. É uma decisão que precisamos tomar agora sobre que Estado queremos deixar para as próximas gerações.

Deputado Estadual Pepe Vargas

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