Pedágios do governo Leite encarecem tarifas e travam investimentos, diz Pepe

Foto de Pepe Vargas

Pepe Vargas

“Já está mais do que comprovado que, se fosse feita uma modelagem por meio da EGR, não haveria lucros para distribuir a acionistas, haveria mais investimentos na rodovia e as tarifas seriam mais baratas. No Vale do Taquari, por exemplo, em vez de R$ 0,19 por quilômetro, numa modelagem com a EGR, sem o pagamento de Imposto de Renda, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e tributos sobre a distribuição de lucros e dividendos, seria possível praticar uma tarifa de R$ 0,12 por quilômetro. Portanto, essa modelagem proposta por Eduardo Leite está errada: penaliza a economia do Rio Grande do Sul, aumenta o custo logístico do Estado e dificulta ainda mais a atração de novos negócios”, afirmou o deputado Pepe Vargas na tribuna da Assembleia Legislativa, durante a sessão plenária desta quarta-feira (04/03), ao retomar o debate sobre as concessões de rodovias no Rio Grande do Sul.

Pepe lembrou que, no primeiro mandato, Eduardo Leite concedeu a ERS-287, no trecho em direção a Santa Maria, na Região Central do Estado, com um cronograma de obras profundamente atrasado, mesmo já havendo cobrança de pedágio. Também anunciou a concessão de mais três blocos: Bloco 1 (Região Metropolitana e Vale do Paranhana), Bloco 2 (Vale do Taquari em direção ao Planalto) e Bloco 3 (Serra e Vale do Caí).

O Bloco 3 foi concedido e, segundo o deputado, no trecho entre Caxias do Sul e Porto Alegre, o usuário paga R$ 48,60 se estiver em automóvel. Um caminhão de sete eixos desembolsa R$ 486. Embora a concessão esteja no terceiro ano, até o momento não houve nenhum quilômetro de duplicação, apesar de o contrato prever mais de 31 quilômetros já concluídos, entre Farroupilha e Bento Gonçalves e no contorno norte de Caxias do Sul.

Ainda de acordo com Pepe, além da ausência de obras, a concessionária já recebeu recursos públicos — R$ 19 milhões repassados pelo governo até agora — e houve vários reajustes tarifários. “O primeiro reajuste ocorreu logo após a concessionária assumir, porque o contrato prevê atualização entre o cálculo da tarifa básica na licitação e a assinatura do contrato. A tarifa anunciada era de R$ 0,13; quando a empresa assumiu, passou para R$ 0,17. Hoje está em R$ 0,23, um dos pedágios mais caros do Brasil”, afirmou.

Para o parlamentar, a Serra e o Vale do Caí foram usados como “cobaia” pelo governo. Ele argumenta que, no Bloco 2, caso o volume de tráfego aumente, a tarifa será recalculada, o que não ocorre no Bloco 3. “Trocaram as cancelas pelos pórticos de free flow, e a própria concessionária afirma que houve redução de custos operacionais e de investimento. Mesmo assim, até o momento, não houve recálculo em favor do usuário. E a empresa ainda pede mais seis meses para refazer os cálculos, com concordância do governo”, criticou.

Pepe também lamentou que, na legislatura passada, as audiências públicas tenham sido realizadas durante a pandemia, com baixíssima participação popular. Segundo ele, poucos vereadores da Serra se mobilizaram, os prefeitos aceitaram e as entidades empresariais também concordaram com o modelo. “Presumo que o custo que as empresas têm para transportar sua produção acaba sendo repassado ao preço final do produto. Quem paga essa conta é o cidadão comum, que arca com um frete mais caro e, até agora, não viu as obras saírem do papel”, disse.

O deputado relatou ainda que o presidente da Agergs compareceu à Assembleia e afirmou não ter informações sobre o cronograma de obras. Na semana seguinte, porém, o governador anunciou, durante a Festa da Uva, a duplicação do contorno norte de Caxias do Sul e do trecho entre Bento Gonçalves e Farroupilha. No dia seguinte, segundo Pepe, o diretor da concessionária afirmou que as obras dependem da readequação do equilíbrio econômico-financeiro do contrato.

A concessionária também teria solicitado mais de R$ 300 milhões em razão do período superior a 30 dias sem cobrança de pedágio durante as cheias. “O governo já sinaliza que o Fundo de Reconstrução vai ressarcir a concessionária, mas não se trata de concessão patrocinada. Qual é a base legal para isso?”, questionou.

Pepe concluiu afirmando que, enquanto os pleitos da concessionária são atendidos pela Agergs e pelo governo, as demandas dos usuários enfrentam entraves jurídicos e econômicos. “Isso é um escândalo, um absurdo. Espero que o governador tenha prudência e inteligência para não lançar o edital antes que todas essas questões estejam devidamente esclarecidas”, finalizou.

Foto: Charles

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