Casos envolvendo estudantes e professores do Instituto Estadual Rio Branco, em Porto Alegre, expõem ameaças, intimidações e tentativas de constrangimento por posicionamentos políticos. Deputados cobram providências e defendem a liberdade de pensamento e a democracia nos espaços de educação.

Denúncias de perseguição política, intimidação e ameaças à liberdade de pensamento em instituições de ensino do Rio Grande do Sul foram debatidas nesta quarta-feira (4/11), na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Adão Pretto. Os relatos envolvem o Instituto Estadual Rio Branco, em Porto Alegre, e acendem um alerta sobre a necessidade de proteger estudantes, professores e toda a comunidade escolar e universitária de práticas de intimidação motivadas por divergências ideológicas.
Os estudantes denunciaram a atuação da vereadora de Porto Alegre Mariana Lescano (PP), que esteve na instituição sob a alegação de investigar uma suposta prática de doutrinação ideológica por parte de professores. Durante a visita, a parlamentar gravou imagens e publicou vídeos nas redes sociais, expondo estudantes e integrantes da comunidade escolar sem autorização prévia, segundo os relatos apresentados. A situação provocou reação dos alunos, que questionaram a abordagem e manifestaram preocupação com a exposição pública e com as tentativas de constrangimento dentro do ambiente escolar.
O episódio trouxe novamente ao centro do debate a liberdade de ensinar e aprender, a autonomia pedagógica e o direito de estudantes e professores a um ambiente educacional plural, no qual diferentes ideias possam ser discutidas sem ameaças, censura ou perseguição.
Durante o debate na Assembleia, o deputado Pepe Vargas cobrou uma resposta efetiva da Secretaria Estadual da Educação diante das denúncias envolvendo a escola da rede pública estadual. Para o parlamentar, não é aceitável que direções escolares e estudantes tenham de enfrentar sozinhos situações de intimidação, sem o respaldo da gestão pública.
“A direção da escola fica sozinha, abandonada, e os estudantes ficam abandonados, e a gestão não toma providências em defesa da escola? A escola é um ambiente de mediação civilizada, democrática e de pluralidade”, declarou.
Pepe também destacou a importância da organização dos estudantes na defesa de seus direitos e da educação pública como espaço de formação cidadã. “Fortaleçam a organização de vocês para defender os seus sonhos e os seus direitos”, afirmou.
O deputado finalizou destacando que,os episódios reforçam a importância de preservar as instituições de ensino como espaços de convivência democrática, produção de conhecimento e respeito às diferenças.



