Artigo Pepe Vargas: A importância da indústria gaúcha para o desenvolvimento sustentável

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Pepe Vargas

O Rio Grande do Sul precisa enfrentar uma transição decisiva: tornar sua indústria, seu comércio e seus serviços cada vez mais dinâmicos, inovadores e sustentáveis. O diagnóstico do Pacto RS25 mostrou que temos uma economia industrial diversificada e relevante, mas que perdeu participação relativa no PIB industrial brasileiro e enfrenta forte concorrência, enquanto que a transição para uma economia baseada em conhecimento, tecnologia e serviços qualificados ocorre de maneira desigual. 

Ao crescer menos que os demais estados da região sul, o nosso Estado passa a perder, também, parte da sua população economicamente ativa. Passamos a formar mão de obra altamente qualificada que busca mercados fora do RS para trabalhar.  A equação baixo crescimento econômico, redução da densidade populacional e agravamento dos eventos climáticos gera um quadro preocupante para o povo gaúcho.

As pequenas e médias empresas, que têm papel central na geração de empregos e na organização das cadeias produtivas regionais, encontram dificuldades de acesso a crédito, tecnologia, inovação e qualificação. A isso se somam problemas de infraestrutura, energia, logística e conectividade, agravados pelos eventos climáticos extremos.

Foi justamente ouvindo quem produz, trabalha, pesquisa e vive nas diferentes regiões do Estado que o Pacto RS25 construiu suas propostas. Nos Grandes Debates, Seminários Regionais e demais processos participativos, a sociedade apontou a necessidade de apoiar as pequenas e médias empresas, estimular a inovação e a digitalização, aproximar empresas de universidades e escolas técnicas, ampliar o acesso ao crédito e preparar os setores produtivos para a transição climática. 

Entre as propostas levantadas nos encontros estão os planos de descarbonização industrial, o aumento da eficiência energética, o estímulo à geração de energia renovável compartilhada, o aproveitamento de resíduos industriais e agroindustriais , a adaptação das plantas produtivas aos eventos extremos e o fortalecimento de serviços produtivos locais. A ideia central é de que a sustentabilidade não pode ser tratada como obstáculo ao desenvolvimento, mas como caminho para aumentar produtividade, reduzir custos, gerar inovação e criar empregos de qualidade.

É essa visão que está presente no Projeto de Lei 134/2026, de minha autoria, que propõe instituir a Política Estadual de Desenvolvimento Sustentável e Resiliência Climática. O projeto transforma em diretrizes de Estado aquilo que foi construído coletivamente no Pacto RS25: uma nova estratégia de desenvolvimento capaz de combinar crescimento econômico, inovação, justiça social e proteção ambiental. Para a indústria, o texto aponta para a modernização do parque produtivo, a digitalização, a reindustrialização e a adoção de processos de baixo carbono; para o conjunto da economia, propõe transição energética justa, redução das emissões, infraestrutura resiliente e mecanismos de financiamento, governança e monitoramento. 

O Rio Grande do Sul precisa de um modelo de desenvolvimento capaz de produzir mais e melhor, gerar empregos e salários dignos, ampliar a renda, estimular a inovação e, ao mesmo tempo, proteger os recursos naturais e preparar o Estado para os impactos da crise climática.

Sustentabilidade não pode ser vista como freio à atividade econômica. Ao contrário: é uma oportunidade para modernizar nossa economia, agregar valor à produção, fortalecer a indústria, a agricultura, o comércio e os serviços, estimular novas tecnologias e criar empregos de qualidade. Este é o caminho para gerar resultados sólidos e construir o futuro do RS.

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